Dor no ombro e braço: tendinopatia do manguito rotador

Foi levantar algum objeto e sentiu dor no ombro? Pode ser sinal de tendinopatia, uma lesão no manguito rotador, nome dado ao conjunto de quatro tendões, com seus respectivos músculos, que se localizam nessa região. A integridade desses tendões é fundamental para o bom funcionamento, pois são eles que nos permitem levantar objetos, rodar o braço, arremessar uma bola e realizar diversas atividades da vida diária com os membros superiores. Quando lesionados, são a causa mais comum de dores no ombro.


As lesões do manguito rotador podem acontecer de duas maneiras: por traumatismos e acidentes ou por degeneração. Esta última é a principal causa de lesão dos tendões, uma vez que, com o envelhecimento, ocorre um enfraquecimento natural dos tendões. Fatores genéticos e hábitos/antecedentes pessoais, tais como tabagismo, esforços repetitivos pelo trabalho ou esporte, diabetes, reumatismos, podem levar ao enfraquecimento do tendão, causando ruptura ou lesão.


Como saber se estou lesionado?

O principal sintoma da lesão é a dor que, frequentemente, se localiza na região mais lateral do ombro irradiando para o braço, e que piora com a movimentação do ombro. A dor pode ser mais intensa à noite, ao deitar e também pode irradiar para a parte de trás ou para frente do ombro. Em lesões maiores, pode ocorrer a perda de força e movimentação do ombro. Porém, se a dor estiver mais próxima ao pescoço, a origem do problema pode estar na coluna cervical, e não no ombro, sendo esta dor causada por irradiação de uma hérnia de disco ou de uma artrose cervical, por exemplo.


A ressonância magnética é o melhor exame para o diagnóstico da lesão do manguito rotador. Permite avaliar a presença ou não da lesão, seu tamanho e localização, auxiliando na definição do tratamento mais adequado. A ultrassonografia também pode diagnosticar a lesão, mas depende da experiência do médico radiologista.

Qual o melhor tratamento?

O tratamento mais adequado depende se a lesão é parcial ou completa, da idade do paciente, da intensidade da dor, da perda da função, do número de tendões acometidos, entre outros fatores. O importante é saber que as lesões dos tendões não cicatrizam sozinhas. No entanto, as lesões parciais do manguito rotador são geralmente de tratamento não cirúrgico.


Medicações anti-inflamatórias, repouso, gelo e o tratamento com fisioterapeuta podem ser indicados com o objetivo de diminuir a dor, melhorar o alongamento e fortalecer a musculatura ao redor do ombro. Apesar dessas lesões não cicatrizarem, os sintomas podem diminuir assim permanecerem por longo período. Para lesões em menos de 50% da espessura do tendão, o tratamento não cirúrgico é muito eficiente. O fortalecimento da musculatura poupa a solicitação dos tendões do manguito rotador, permitindo que a lesão não progrida.


Quando é preciso fazer cirurgia?

A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador com reabilitação, realizado adequadamente por 3 a 6 meses, falhar, ou seja, o paciente persistir com dor e disfunção. Para lesões maiores que 50%, muitas vezes, o tratamento fisioterápico pode não ser eficaz. Nas lesões completas ou transfixantes, a regra é o tratamento cirúrgico para a maioria dos casos. As lesões completas podem progredir de tamanho ao longo do tempo e, quando isto ocorre, pode tornar-se irreparável, ou seja, mesmo com a cirurgia o tendão pode não retornar ao seu local de origem ou mesmo ter um risco altíssimo de nova rotura.


Atualmente a maioria das lesões do manguito rotador é reparada por artroscopia (cirurgia por vídeo). Normalmente o paciente permanece internado no hospital por menos de 24 horas. O tratamento cirúrgico apresenta bons resultados na maioria dos casos, com melhora da dor e função.


Posso decidir não operar?

O tratamento não cirúrgico é reservado para pessoas com baixa utilização dos ombros (idosos não ativos) ou pessoas com contraindicações clínicas para esta modalidade de tratamento. No entanto, se o paciente tem pouca ou nenhuma dor, a conduta pode ser conservadora, com a reabilitação adequada e evitando movimentos com o braço elevado, além do acompanhamento médico periódico para avaliar se há progressão da lesão ou piora dos sintomas.

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